Atendo adultos neurodivergentes em psicoterapia, incluindo pessoas que receberam um diagnóstico na vida adulta, que já se reconhecem como neurodivergentes ou que estão tentando compreender melhor experiências que acompanham sua trajetória há anos.
Psicoterapia para adultos neurodivergentes
Neurodivergência é um termo amplo e não corresponde, por si só, a um diagnóstico clínico. Altas Habilidades/Superdotação, TDAH e TEA nível 1 de suporte (antigo Síndrome de Asperger), por exemplo, são experiências distintas e não devem ser tratadas como se fossem equivalentes.
Na clínica, não considero a pessoa apenas a partir de um diagnóstico. O trabalho psicoterapêutico pode envolver aquilo que acontece na relação consigo mesma, com outras pessoas e com o mundo: autocobrança, adaptação, sensação de não pertencimento, relações, identidade, exposição, desempenho e sofrimento emocional.
Para quem é essa psicoterapia
Este atendimento pode fazer sentido para adultos que desejam compreender e elaborar questões relacionadas à própria experiência, à sua história e à maneira como têm vivido suas relações consigo mesmos e com o mundo.
Adultos com diagnóstico de AH/SD, TDAH ou autismo nível 1
Algumas pessoas chegam à psicoterapia já tendo um diagnóstico. Outras estão começando a compreender o que essa informação significa para sua vida.
O diagnóstico pode fazer parte dessa história, mas não resume a pessoa. A psicoterapia pode ser um espaço para olhar para aquilo que existe para além da classificação diagnóstica.
Quando a identificação acontece na vida adulta
Para algumas pessoas, a identificação ou o diagnóstico na vida adulta traz novas perguntas sobre experiências que antes pareciam desconectadas: relações, dificuldades recorrentes, exigências, sensação de inadequação ou formas de adaptação.
Estudos qualitativos descrevem experiências variadas após o diagnóstico, incluindo releitura da própria história, autocompreensão, alívio, luto, raiva e mudanças na maneira de perceber a própria identidade. Essas experiências não acontecem da mesma forma para todas as pessoas.
Quando existe uma suspeita, mas ainda não há diagnóstico
Também é possível procurar psicoterapia quando existe uma suspeita de neurodivergência, sem ter recebido uma confirmação diagnóstica.
Nesse caso, a terapia pode se voltar ao sofrimento que está sendo vivido, às relações, à identidade e à história da pessoa.
Suspeitar de uma neurodivergência não equivale a ter um diagnóstico, e a psicoterapia não substitui uma avaliação diagnóstica ou neuropsicológica quando ela é necessária.
O que pode levar um adulto neurodivergente à psicoterapia?
Não existe uma única maneira de ser neurodivergente. As experiências variam de uma pessoa para outra.
Alguns temas, porém, podem aparecer na busca por atendimento.
Masking e camuflagem social
O termo masking, ou camuflagem social, é utilizado principalmente na literatura sobre autismo para descrever estratégias de mascaramento, compensação e assimilação em situações sociais.
Essas estratégias podem envolver monitorar cuidadosamente a própria forma de falar ou se comportar, ensaiar interações, esconder determinadas necessidades ou tentar corresponder às expectativas do ambiente.
Para algumas pessoas, adaptar-se dessa maneira pode cumprir uma função prática ou protetiva. Ao mesmo tempo, estudos observacionais encontraram associações entre maior camuflagem e indicadores como estresse, exaustão, ansiedade e solidão. Esses estudos não permitem concluir que a camuflagem seja a causa desses problemas.
Na psicoterapia, a questão não é simplesmente “tirar a máscara”. Pode ser mais importante compreender em que contextos determinadas adaptações se tornaram necessárias, o que elas possibilitam, o que podem custar e quais escolhas fazem sentido hoje.
Sensação de não pertencimento
Uma pessoa pode ter vínculos, trabalhar, estudar e conviver socialmente e, ainda assim, sentir que não pertence.
A literatura sobre adultos autistas encontra níveis elevados de solidão em comparação com grupos de referência e diferencia a experiência de solidão do simples fato de estar fisicamente sozinho.
Na psicoterapia, essa experiência pode aparecer nas amizades, nas relações amorosas, na família, no trabalho ou na própria percepção de quem se é.
Autocobrança e autocrítica
Algumas pessoas chegam à terapia depois de anos se cobrando intensamente para corresponder às expectativas dos outros ou às próprias expectativas.
Em adultos com TDAH, pesquisas identificam menor autocompaixão e maior autojulgamento em comparação com grupos de controle. Na literatura sobre autismo, a relação com a própria identidade também aparece associada à autoestima e ao bem-estar.
Isso não significa que a neurodivergência determine uma relação autocrítica consigo mesma.
Uma pergunta possível na terapia é:
Como você aprendeu a se cobrar dessa maneira?
A partir daí, podemos investigar experiências de crítica, comparação, rejeição, exigência e inadequação que passaram a fazer parte da maneira como a pessoa se percebe.
Exaustão e sobrecarga
Para algumas pessoas, determinadas formas de adaptação exigem um esforço maior do que aquilo que aparece externamente.
A literatura sobre camuflagem em adultos autistas encontrou associações entre maiores níveis de camuflagem e indicadores de exaustão e sofrimento psicológico. Isso não significa que toda exaustão em uma pessoa autista seja consequência de masking, nem que exista uma única explicação para o sofrimento.
Por isso, não importa apenas o que a pessoa consegue fazer, mas também como ela vive aquilo que consegue fazer.
Relações, identidade e exposição
As questões também podem aparecer como:
- medo de julgamento;
- sensação de inadequação;
- dificuldade de estabelecer limites;
- conflitos entre aquilo que se deseja e aquilo que se espera de si;
- sofrimento relacionado ao trabalho;
- dificuldades nas relações;
- exposição e desempenho;
- dúvidas sobre identidade e pertencimento.
Essas experiências não recebem uma explicação única. A proposta é compreender como elas se articulam na trajetória daquela pessoa.
Quando o diagnóstico chega tarde, outras perguntas podem aparecer
Receber um diagnóstico ou uma identificação na vida adulta pode modificar a maneira como algumas pessoas compreendem a própria história.
Experiências antes percebidas apenas como fracassos, inadequações ou dificuldades pessoais podem ganhar outros significados. Ao mesmo tempo, a descoberta pode trazer sentimentos diversos, como alívio, luto, raiva, dúvida ou necessidade de reorganizar a própria identidade.
A literatura qualitativa descreve justamente essa diversidade de experiências após o diagnóstico.
A questão pode deixar de ser apenas:
“O que há de errado comigo?”
e passar a incluir:
“O que essa nova compreensão muda na maneira como vejo minha história?”
A psicoterapia pode ser um espaço para elaborar essas perguntas, sem transformar o diagnóstico em uma explicação total para a vida da pessoa.
Quando o desempenho externo não conta toda a história
Há adultos neurodivergentes que estudam, trabalham, constroem carreiras, sustentam responsabilidades e parecem funcionar bem aos olhos de quem está de fora.
Isso, por si só, não permite compreender toda a experiência subjetiva da pessoa.
Também não considero “neurodivergente de alto desempenho” uma categoria clínica. O desempenho é contextual e pode variar conforme as exigências do ambiente, os recursos disponíveis, o tipo de atividade e o esforço necessário para sustentar determinado funcionamento.
O que pode ser clinicamente importante é compreender a relação entre desempenho, exigência, adaptação, reconhecimento e sofrimento.
A pergunta não é somente:
“Você consegue?”
Mas também:
“Como você consegue? E o que isso exige de você?”
Como funciona a psicoterapia
Minha proposta é oferecer um espaço em que você possa falar sobre o que está vivendo sem precisar transformar imediatamente cada dificuldade em um diagnóstico, uma técnica ou uma solução.
A psicoterapia parte da história da pessoa, de suas relações, de seus conflitos, de sua forma singular de experimentar o mundo e dos sentidos que atribui ao que vive.
Minha orientação clínica é principalmente psicanalítica, em diálogo com a Fenomenologia-Existencial e com outros referenciais presentes na minha formação, como Gestalt-terapia, Psicologia Social e Esquizoanálise.
Isso significa que o trabalho não se resume a ensinar alguém a se adaptar melhor às expectativas externas.
Pode envolver compreender como essas expectativas foram construídas, o lugar que ocupam na vida da pessoa, aquilo que ela aprendeu a esconder, aquilo de que se cobra e as possibilidades que deseja construir para si.
Uma terapia que não reduz você ao diagnóstico
Um diagnóstico pode nomear determinadas características e ajudar a organizar uma compreensão sobre parte da experiência.
Mas uma pessoa não se resume à sua classificação diagnóstica.
Na psicoterapia, podemos falar também sobre desejo, relações, escolhas, conflitos, história, trabalho, amor, família, sofrimento, identidade e os sentidos que cada uma dessas experiências assume para você.
O objetivo não é apagar aquilo que faz parte da sua maneira de existir.
É compreender melhor como você está vivendo e o que está produzindo sofrimento.
O que este atendimento não oferece
Não é avaliação neuropsicológica
Este atendimento é de psicoterapia. Não realizo avaliação neuropsicológica para investigação de autismo, TDAH ou altas habilidades/superdotação.
Não é diagnóstico
A psicoterapia não tem como objetivo confirmar ou excluir um diagnóstico.
Quando existe necessidade de avaliação diagnóstica, esse é um processo diferente e deve ser realizado na modalidade apropriada.
Não é treinamento para parecer neurotípico
O objetivo da terapia não é ensinar você a apagar características pessoais para corresponder a um padrão.
Isso também não significa que toda adaptação seja necessariamente negativa. Em alguns contextos, determinadas estratégias podem cumprir funções práticas ou protetivas.
A questão terapêutica pode ser compreender quais adaptações fazem sentido, quais passaram a produzir sofrimento e quais escolhas são possíveis hoje.
Outras demandas que podem receber um olhar específico
Ansiedade de performance e medo de palco
Quando o sofrimento está especialmente relacionado a exposição, avaliação, apresentações, julgamento ou desempenho, há uma página específica sobre esse tema.
Conheça a psicoterapia para ansiedade de performance e medo de palco
Altas habilidades e superdotação
Adultos com altas habilidades/superdotação também podem procurar psicoterapia para questões relacionadas à identidade, pertencimento, autocobrança, relações e trajetória pessoal.
A avaliação de AH/SD, porém, é um processo diferente da psicoterapia.
Conheça a psicoterapia para adultos com altas habilidades/superdotação
Perguntas frequentes
Preciso ter diagnóstico para fazer psicoterapia?
Não necessariamente. Você pode procurar psicoterapia por causa do sofrimento que está vivendo, mesmo sem ter um diagnóstico formal. A terapia, porém, não substitui uma avaliação diagnóstica quando ela for necessária.
A terapia é indicada para adultos autistas?
A psicoterapia pode fazer parte do cuidado de adultos autistas, especialmente quando existem questões emocionais, relacionais ou outras demandas de saúde mental. As necessidades variam entre as pessoas, e a literatura específica sobre psicoterapia para adultos autistas ainda é limitada e heterogênea.
E para adultos com TDAH?
Adultos com TDAH podem procurar psicoterapia por diferentes motivos, incluindo sofrimento emocional, relações, autoestima e dificuldades relacionadas ao funcionamento cotidiano. Existem evidências para algumas intervenções específicas em TDAH adulto, mas isso não significa que todas as abordagens tenham a mesma base de evidências ou o mesmo objetivo.
O que é masking?
Masking, ou camuflagem social, é um termo utilizado principalmente na literatura sobre autismo para descrever estratégias de mascaramento, compensação e assimilação em situações sociais. Estudos encontraram associações entre maiores níveis de camuflagem e alguns indicadores de sofrimento, mas isso não permite concluir causalidade.
Você realiza avaliação de autismo, TDAH ou altas habilidades?
Não. Esta página se refere ao atendimento psicoterapêutico.
A terapia pode fazer sentido para quem recebeu o diagnóstico recentemente?
Sim. Questões relacionadas à compreensão da própria história, identidade, relações e maneira de viver a partir de uma nova perspectiva podem fazer parte do trabalho psicoterapêutico.
O atendimento é online ou presencial?
Atendimento online e presencial no Itaim Bibi, em São Paulo.
Agende uma conversa inicial
Se você está procurando um espaço psicoterapêutico para compreender melhor o que está vivendo — inclusive questões relacionadas a adaptação, pertencimento, autocobrança, identidade, relações ou desempenho — podemos conversar sobre a sua demanda.
Atendimento particular.